"Dedicado à promoção e treino canino da raça Rottweiler e demais raças de cães ."

Cláudio Nogueira

Comportamento

A importância de entender o cão

Porque um cão não é uma pessoa...



Todo o processo de educação, sociabilização e treino de obediência ficará mais facilitado se entendermos melhor o comportamento do cão.

Arty e Cláudio

Devido à inexperiência da maior parte dos donos e ao chamado processo de humanização dos cães, frequentemente, são cometidos erros graves na avaliação dos comportamentos apresentados por um cão.

Em função da espécie animal, o padrão comportamental e a forma de aprendizagem varia. O cão não é exceção. Interiorizando esta realidade será mais fácil os donos de cães perceberem que o cão não é uma pessoa tendo por isso a obrigação de querer conhecer melhor aquele que chamam de cão de companhia.

O cão não consegue ter uma visão “moral” do que faz, como tal, não distingue o que está certo ou errado.  O cão conhece experiencias ( Positivas / Neutras / Negativas ) através da memorização das mesmas.  Se um cão estiver habituado a saltar para cima de pessoas pelo facto de já ter visto esse seu comportamento recompensado, não deixará de repetir esse mesmo comportamento, caso esteja na presença de pessoas que se apresentem de fato e gravata ou de pessoas idosas.

O "comando" de chamada é um exemplo frequentemente utilizado para ajudar a compreender a diferença de como um cão e uma pessoa avaliam os acontecimentos no tempo. 

Imaginemos o seguinte cenário:

"O dono chama o seu cão que a distancia considerável, está entretido a farejar. O cão ouve mas não obedece no imediato. Após várias tentativas falhadas do comando de chamada, o cão regressa de forma alegre."

Perante esta situação, na maioria das vezes, o dono repreende o cão. Quando assim acontece,  o dono está a ter em mente um ato passado castigando no presente, esquecendo que o cão analisa os acontecimentos no momento em que estes acontecem. 
Nesta caso, o cão irá entender que foi punido por ter regressado e não pelo tempo que demorou a regressar. Por este motivo, nas próximas vezes, o cão demorará mais tempo a regressar e quando o fizer apresentará um comportamento submisso. Esta postura acontece não por ter demorado a regressar mas porque receia ser punido quando chegar junto do dono.

O cão e a sua família humana


 
Um cão quando é inserido num ambiente familiar vê-se inserido num novo grupo. Se o cão encara o grupo como uma “matilha” ou simplesmente como um grupo de animais de outra espécie, é algo que hoje gera alguma "controvérsia". No entanto, sendo o passado do cão repleto de experiencias vividas em grupo, é natural que as regras herdadas sirvam de base para a sua integração e vivencia no seio de uma família humana. Por certo, determinados comportamentos irão se manter e outros acabarão por se extinguir.

Dizem alguns estudos que o cão, em “condições normais”, evita o confronto com o Homem. Contudo, mesmo que assim seja, o cão necessita de uma liderança. Entenda-se como liderança um conjunto de regras, rigor, respeito e um relacionamento de confiança. Quando assim não acontece as referidas “condições normais” poderão dar lugar a comportamentos mais problemáticos e com consequências não menos problemáticas.



Infelizmente, na maioria das vezes, a liderança é apresentada ao dono do cão através de uma analogia com o lobo Alfa ( designação de animal-chefe ). É dito que a disciplina terá que ser imposta a qualquer custo, mesmo que para isso seja necessário recorrer à punição física. Igualmente, é reforçada a ideia, de forma menos correta, que o cão deverá ser colocado em ultimo na "hierarquia" familiar.

Não raramente, “treinadores” de cães parados no tempo, imputam esta responsabilidade de “liderança” / dominancia aos donos. Quando algo falha no relacionamento entre o dono e o cão, o dono é acusado de falta de “liderança”. Perante esta situação embaraçosa e problemática, muitos donos começam a mal tratar os seus cães.

Em raças que apresentem um índice mais elevado de instintos como o instinto territorial, defesa, presa entre outros, a educação, a sociabilização e o treino de obediência é obrigatório. O Rottweiler, por exemplo, é uma dessas raças.

Quando os donos descuram a educação, a sociabilização e a obediência de um cão pertencente a uma raça polivalente e dotada de grande funcionalidade, rapidamente irão surgir comportamentos complicados os quais tomarão proporções perigosas na idade adulta do cão.

Na ausência de regras, os cães sem orientação e sem liderança, tentarão chamar atenção ou mesmo impor-se. Abaixo, são apresentados alguns sinais que devem ser considerados:

  • O cão, não sai de um determinado local quando ordenado;
  • 
O cão, não deixa que lhe retirem a comida ou objetos na sua posse;
  • O cão rosna ao dono sempre que este tenta tocá-lo;
  • O cão, respeita um dono mas mostra sinais de agressividade com os restantes elementos da família;
  • O cão urina, de forma sistemática, dentro de casa.
 
Passear o cão
 



Existem situações em que passear um cão pode tornar-se embaraçoso. Desde o cão descontrolado que puxa na trela, ao cão que reage negativamente à presença de outros animais, são cenários bem frequentes. Na maioria dos casos, estamos perante um cão com lacunas no processo de sociabilização e no seu treino de obediência.

Rottweiler em passeio

Cães de determinadas raças, principalmente de raças que são dotadas de instintos de guarda, são mais propicias a impor a sua presença. Quando não devidamente corrigido, este comportamento terá tendência a ser “exponencial”. 

Nunca facilitando, é também importante perceber que um cão preso mostra uma “agressividade” superior à que realmente possui.
 
Os cães, por vezes, quando impedidos de chegar a outros animais emitem um som como de um choro se tratasse. Perante esta situação o dono não deve facilitar. As probabilidades de haver confrontação são reais.


 
Agressividade


 
Normalmente, por razões diversas os cães podem evidenciar sinais de agressividade e esta não deve ser interpretada como uma postura prazerosa ou uma a maldade inata do cão.
 
A agressividade pode ser originada por várias situações:


 
Dominação
 


É frequente entre os cães, quer sejam machos ou fêmeas. Aqueles que possuem um caráter mais forte podem ser menos tolerantes à partilha de espaços, comida ou membros de um grupo ( pessoas ou animais ). Posturas como um olhar fixo, pelo dorsal eriçado, cauda em riste, mostrar os dentes rosnando, são sinais evidentes de um possível confronto.

Através de uma correta educação e sociabilização, este comportamento poderá ser minimizado.



Território



Um cão de guarda utiliza o seu instinto nato para guardar. Não há qualquer necessidade de o estimular para o efeito, caso contrário, poderemos estar a potenciar um problema.  


Durante a fase de crescimento, à qual esteja diretamente associado um determinado espaço (ex: quintal), o cão acabará por naturalmente se tornar territorial em relação a esse mesmo espaço. Os machos são mais propícios a desenvolver este tipo de comportamento.


É fundamental, fazer o cão entender que a maior parte das pessoas vem por bem. Receber a família e amigos em casa, permitindo o convívio, é recomendável. Um cão adulto, bem sociabilizado e integrado em ambiente familiar, terá a capacidade de distinguir comportamentos suspeitos.
 


Instinto de presa
 


O instinto de presa encontra-se em todos os cães ( uns mais que outros ). É frequente presenciarmos um cão a perseguir outros animais, pessoas a correr ou veículos em movimento. Muitas vezes, o instinto leva a morder com o objetivo de bloquear a presa. 

Para evitarmos ter um cão que corra atrás de pessoas, principalmente crianças, ciclistas, etc., será fundamental uma sociabilização e uma educação adequada.



Medo


 
Um cão por questões genéticas ou devido a uma incorreta sociabilização pode apresentar-se receoso ou desenvolver fobias perante situações desconhecidas. Não raramente,  um cão pode “camuflar” os seus receios através de uma postura agressiva.

Enquanto cachorros, os cães tem a tendência para fugir daquilo que receiam, no entanto em adultos poderão promover confronto.

É importante o dono estar atento aos receios do seu cão para de imediato os minimizar ou corrigi-los em definitivo. A ajuda de alguém com experiencia em comportamento animal e em aspetos relacionados com a sociabilização, é recomendável.


 
Simulação


 
Um cão que esteja preso numa corrente, atrás de um gradeamento ou dentro de um automóvel, poderá ladrar ferozmente. Simula o domínio total do território. Contudo, se sair desse espaço, na "maioria das vezes", adota uma postura calma, sociável ou mesmo receosa. A interpretação deste comportamento não deve ser feita de ânimo leve.


 Para o bem ou para o mal, nem tudo o que parece, é.
 
Relacionamento com as crianças


 
Os cães de um “modo geral” e independentemente da sua raça, são tolerantes com crianças. Contudo, não é aconselhável assumir que nunca haverá problemas. Não menos importante, as relações entre uma criança e um cão devem ser sempre supervisionadas por adultos.

Rottweiler e crianças

Movimentos bruscos, gritos ou brincadeiras incomodas para o cão, poderão levar a que o mesmo perca a tolerância com a criança. Igualmente, abraços e beijos no focinho do cão, devem ser evitados. Enquanto o abraço pode causar no cão a ansiedade de se libertar, aproximar o rosto do focinho pode ser interpretado como uma ameaça. Ambas as situações podem despoletar uma mordida ou posturas defensivas.

Dependendo de cada cão, da sua educação, sociabilização, treino e outras circunstancias, a tolerância para com as crianças poderá variar. Por exemplo, na presença de um adulto, o cão poderá perceber que está inibido de adotar comportamentos negativos para como uma criança. Não é garantido que na ausência do adulto, o comportamento se mantenha igual.

Igualmente, a tolerância para com uma criança ( e não só ) poderá ser menor, caso o cão se encontre a comer. O instinto de defesa dos recursos ( ex: comida, objectos ) pode ser despoletado, levando a posturas defensivas ( rosnar ) ou a uma mordida rápida.

De salientar, se o cão deve ser educado a estar com crianças, estas devem também ser educadas a lidar e a respeitar o cão. Não menos importante, a tolerância para com uma criança varia de cão para cão ( enquanto indivíduo ) e não em função de uma raça. 

Um animal, seja ele qual for, não deve ser encarado como um brinquedo.


 
Alguns conselhos:

  • Educar o cão a não saltar para cima das pessoas, evitando que mais tarde o faça como uma criança;

  • Os brinquedos de uma criança, não devem estar à disposição de um cão. Esta situação pode originar “disputas”;


  • Antes da “apresentação” direta de um bebé a um cão, será aconselhável permitir que o cão previamente tenha contacto com o odor das roupas da criança;


  • O cão deve ser habituado ao bebé (ex: choro), através de um processo de dessensibilização (distraindo-o), associando o bebé e o seu comportamento a algo positivo (Guloseima/Carícia );

  • Uma criança não deve entrar num espaço vedado onde existam cães à solta;

  • Uma criança não deve fazer festas a um cão que esteja preso (corrente, gradeamento, à trela, etc);

  • 
Uma criança não deve interagir com um cão quando este se encontra a comer;

  • Supervisione sempre o cão e a criança quando estes estiverem juntos;

  • A interação de uma criança com um cão de terceiros, não deve ser facilitada. Na maioria das vezes, os donos não conhecem os seu próprio cães ou tão pouco conseguem interpretar a sua linguagem corporal;

  • 
O Rottweiler poderá ser um excelente companheiro para crianças, podendo as fêmeas ser a melhor opção;

  • O cão, preferencialmente, deve integrar a família desde cachorro, deve ser proveniente de boas linhagens e deve ser alvo de uma correta educação, sociabilização e treino de obediência;

  • Recorrer a profissionais / escolas de treino canino, é altamente recomendável;

Cláudio M. Nogueira
Amigo do Rottweiler ...e não só!