"Dedicado à promoção e treino canino da raça Rottweiler e demais raças de cães ."

Cláudio Nogueira

Educação

Definição de regras.

Os principios básicos.

Considerações gerais



Para garantir o sucesso de uma boa educação, esta deve começar quando o cão é muito jovem. Preferencialmente, o criador, através da integração dos cachorros no seu dia-a-dia, facilitará uma futura sociabilização e consequente educação. 

Educar um cachorro, passa pela criação de regras e rotinas que minimizem a sua ansiedade e facilitem a sua perceção dos comportamentos aceitáveis que poderá adotar.

Será fundamental, desde cedo, assumir que um cão não é uma pessoa e que o mesmo se rege por padrões de comportamento diferentes de um ser humano. Na maioria das vezes, o chamado processo de humanização dos cães, está na origem dos incidentes graves que vamos conhecendo e na relação conflituosa entre o dono e o seu cão. Este, não por culpa própria, facilmente perderá a noção de fronteira entre um comportamento aceitável e um comportamento não aceitável.

No processo de educação, a tolerância e a paciência devem estar sempre presentes. Estas duas características irão permitir ao cachorro ter “espaço” para aprender evitando as constantes repreensões. Caso assim não seja, o relacionamento entre o dono e o cão, sairá fragilizado. Raças com um caracter mais forte, como por exemplo o Rottweiler, poderão não tolerar uma constante pressão e agressão, levando a situações de confronto.

O “segredo” de uma boa educação, passa pela coerência adotada por todos os membros de um agregado familiar e, não menos importante, o minimizar de situações conflituosas. Entenda-se por coerência, as pessoas que partilham o espaço com o cão, estarem em sintonia e serem conhecedoras dos hábitos e regras impostas ao mesmo. Tudo cairá por terra, se houverem pessoas que permitam a presença do cão em cima no sofá e outras não. Tudo cairá por terra, se houverem pessoas que permitam o cão pedinchar à mesa e outras não, etc.

Igualmente, desde cedo, deixar um cachorro circular livremente pela casa, irá potenciar comportamentos “conflituosos”, como por exemplo, roer cadeiras, urinar em qualquer local, etc. Perante estes cenários, a primeira reação dos donos será gritar, punir fisicamente e correr atrás do cachorro. Situação que deve ser evitada para não fragilizar o relacionamento com o cão.



O local para o cão

Canil para RottweilerSerá desejável, que o cachorro tenha um local próprio para ficar. No caso de moradias, o uso de canil deve ser considerado, enquanto num apartamento, deve haver uma divisão ou um espaço delimitado para a presença do cão. Este, deve saber estar sozinho. Em ambos os casos, jamais os espaços sugeridos, devem ser usados como castigo. A habituação a um canil ou qualquer outro local especifico para o cão, deve ser feito criando uma relação positiva com o mesmo. O recurso à comida, normalmente, é bastante eficiente. As primeiras vezes, o espaço onde se deseja que o cachorro aprenda a ficar, deve ser de livre circulação.

Nas primeiras horas ou mesmo nos primeiros dias, sempre que um cachorro é deixado sozinho, a probabilidade de começar a ladrar ou a uivar, é quase certa. Se viável, sempre que tal aconteça, o comportamento deve ser ignorado. Se assim não for, rapidamente o cão ficará em controlo da situação. Perceberá que o comportamento adotado se traduzirá em liberdade. Esta ultima, deverá ser garantida sempre que o cachorro esteja em silencio e calmo. Inicialmente, o tempo de espera deve ser curto (poucos minutos). A adaptação do cachorro a locais específicos, deve ser simulada durante o dia, minimizando comportamentos negativos fora de horas.

O local escolhido para o cão ou sua zona de “recreio”, preferencialmente, não deve ter contacto direto com a via publica. Um cão que cresça num espaço similar e esteja grande parte do dia sozinho, irá desenvolver índices elevados de ansiedade, stress e mesmo agressividade. Tornar-se-á num cão barulhento ( Ladrar ). Não menos importante, pode ser alvo de provocações dos transeuntes ( Ex: crianças de escola ).



Brincar com o cão

Brincar com um cachorroA brincadeira é o passatempo favorito de um cachorro; assim sendo, há que aproveitá-lo da melhor forma possível. Aprender a brincar com o cachorro num espaço "reduzido" é muito importante. Sentado, no chão, utilizando uma guloseima, bola ou qualquer outro tipo de brinquedo adequado, o dono deve cativar o cachorro a ficar junto de si. Desta forma será criada uma maior cumplicidade entre o dono e o cachorro.  Este aprenderá que estar junto do dono é agradável.

Atirar bolas ou outro objeto para o cachorro apanhar, deve ser evitado. Neste caso, erradamente, o cachorro é convidado a estar longe e fora do controlo do seu dono. As probalidades de o cachorro apanhar a “bola” e fugir, são altas. Eventualmente, enquanto interessado ou devido a um bom instinto de presa, o cachorro pode trazer o objeto de volta para que o mesmo seja novamente lançado. Inconscientemente, a liderança da brincadeira está a ser cedida ao cachorro o qual, a seu belo prazer, irá terminar quando entender. Deve ser evitado.

Em casa, não deve haver brinquedos à disposição do cão, apenas o essencial e adequado para roer. Igualmente, numa fase inicial, as interações com o cachorro devem ser moderadas. Brincar com o cachorro, deve ocorrer no exterior. A rua não deve ser vista pelo cão apenas como o local de passeio mas também o local onde podem acontecer interações ( ex: Treino ) com o seu dono. No entanto, o momento do passeio, não deve ser misturado com o momento de treino.

Infelizmente, por opção ou por falta de tempo, os donos dos cães, maioritariamente das vezes, gerem o relacionamento com o cão dentro de casa. Não raramente, com excesso de liberdade. Como se não bastasse, quando chegam ao exterior, soltam o cão. A conjunção destes fatores torna a vivencia em casa com o cão numa vivencia de problemas intermitentes enquanto no exterior, para o cão,  tudo é mais importante que o dono.



Rottweiler a morder as mãosÉ normal, durante as brincadeiras o cachorro ter tendência para mordiscar as mãos ou a roupa do dono. Esta situação deve ser evitada desde o início.  Para o efeito, em momento algum, as mãos do dono devem ser usadas para brincar. Igualmente, devem ser evitadas, simulações de luta com o cachorro. Ambos os cenários irão potenciar a mordida de forma descontrolada.

A brincadeira com um cachorro deve ser realizada com recurso a um objeto adequado e o qual possa ser usado para morder. Durante a brincadeira, todos os instintos de presa devem ser canalizados para o objeto em causa.

Quando assim não acontece, a brincadeira deve parar. Caso o cachorro se apresente demasiado excitado, o ritmo da brincadeira deve ser mais lento e calmo ( usar comida ).

Havendo dificuldade de lidar com os instintos básicos do cachorro e com a sua hiperatividade, antes de o começar a repreender, solicite a ajuda de um profissional / Escola de treino canino.

Obs. - Todas as brincadeiras devem terminar enquanto o cachorro ainda quer brincar. Evitará assim o desinteresse e criará ansiedade para a próxima brincadeira.



“Rentabilizar” a brincadeira com o cão



A brincadeira, quando controlada, pode ser usada para trabalhar a tolerância do cachorro ao toque. Estes aspeto é fundamental para uma visita tranquila ao veterinário. Este deve se respeitado como profissional, não sendo obrigado a sofrer maus-tratos por parte do cachorro. Embora existam métodos de contenção (Ex: açaime ), o cachorro irá crescer e toda a situação será mais delicada. Contribua para que o seu cão possa ser observado de forma tranquila e eficiente. 



tocar num cachorroInspecionar um Rottweiler
O uso da coleira e da trela deve também ser introduzido durante a brincadeira. Inicialmente, após a colocação da coleira, o cachorro começará a sacudir-se, coçar-se e muitas vezes a rebolar no chão. É normal. Minimize o "desconforto", distraindo o cachorro com uma guloseima ou um brinquedo. Rapidamente, ele adaptar-se-á. No caso da trela, utilize uma trela laça e comprida para que o cachorro não se sinta preso e inseguro. Ele tentará morder a trela e libertar-se da mesma. Nesta altura, distraia-o, brincando com ele.

Passear e transportar o cão

O passeio de um cachorro no exterior deve ser feito com recurso a uma trela extensível. Desta forma, será possível dar uma liberdade controlada ao cão. Complementarmente, será ainda um eficiente método para não deixar que o cachorro fuja com objetos (alguns perigosos) que apanha na rua. Igualmente, servirá para iniciar o treino da chamada, sem desgastar o respetivo comando. Estando controlado, enquanto vagarosamente se vai encurtando a trela , o cachorro será incentivado a regressar. Ao chegar (“forçado” ou não ) junto do dono, este deverá premiar com uma guloseima, incentivando o cachorro a continuar o seu passeio. Desenvolvendo este método, o cachorro nunca terá relutância de vir ao encontro do seu dono.

No automóvel, o transporte do cão, sempre que viável, deve ser feito em caixa transportadora. Esta oferece maior segurança a todos os ocupantes da viatura, maior higiene e maior conforto para o cão. Não menos importante, minimiza o stress do cão, evitando que este se desloque, descontroladamente, dentro do automóvel, interagindo com os seus ocupantes ou ladrando sistematicamente para o exterior. A verificar-se, esta situação é prejudicial para educação e sociabilização do cão.

Obs. – Atualmente, existem acessórios para prender o cão no sinto de segurança.

Evitar o conflito com o cão

Durante a fase de educação de um cachorro, a forma mais adequada para o repreender é uma das respostas mais procuradas. Existem “mitos”, os quais referem que devem ser usados objetos (Ex: , Chinelo, etc. ) específicos para o efeito.
 No verdadeiro sentido da palavra, os cachorros não devem ser repreendidos. Uma das formas de o evitar, conforme explicado anteriormente, é não proporcionar situações de conflito, quer através de brincadeiras impróprias que levem o cachorro a morder quer o seu acesso livre a objetos tentadores. 



Brincar com um cachorro
Quando na presença do cachorro, de imediato, deve ser criada uma interação com o próprio. Desta forma, ao estar entretido com o seu dono, o cachorro aprenderá a desvalorizar o que o rodeia. Acabada a brincadeira, o cachorro deve ser novamente colocado no seu local de retiro. Aquilo que numa primeira análise pode parecer algo “cruel”, alguns meses depois vem a verificar-se bastante eficaz. Obviamente, esta técnica, numa fase inicial, obrigará a uma maior dedicação ao cachorro. Quer através de mais interações em casa, quer através de mais passeios e interações no exterior.



Complementarmente, através de uma correta dessensibilização, comportamentos negativos podem ser eliminados sem recurso ao castigo físico. Sempre que sejam detetados problemas de maior no processo de educação, "antes de se avançar" para castigos físicos, deve ser procurada a ajuda de um profissional / escola de treino.

Num cão, a aprendizagem na base da tentativa erro, pode vir a revelar-se “fatal”.

Obs. – Um cão que seja corrigido/premiado fora do momento da ação em que tal deveria acontecer, o efeito é nulo. Por exemplo, se um dono castiga o seu cachorro porque encontrou urina no tapete da sala, dado tratar-se de um ato passado, o cachorro não criará a relação do ato com o castigo. Para o cachorro, o mesmo terá sido alvo de uma agressão sem fundamento. Por este motivo, quando no dia seguinte o cenário se repete e o cão evidencia um comportamento submisso, este comportamento não estará relacionado com o “sentimento de culpa”  de ter voltado a urinar o tapete da sala, mas sim com a chegada do dono. Esta, pode originar uma agressão.

Rottweiler a comerA forma mais simples de minimizar o conflito com o ato de comer de um cachorro é, durante a sua refeição, facultar a comida de forma gradual. O dono com uma boa porção de comida na mão, deve deixar o cão sentir o odor, proporcionando a motivação e frustração pela comida. Logo de seguida, coloca a comida no recipiente. Assim que o cão acabe de comer a primeira dose, ainda não refeito de a ter terminado, a mão do dono aproxima-se do recipiente e deixa nova dose de comida. Este processo, poderá ser repetido três a quatro vezes, em cada refeição. Ao fim de uma semana, a aproximação da mão junto do cachorro, enquanto este come, será motivo para o mesmo parar/afastar-se/ficar indiferente. A aproximação da mão ficará associada à colocação de mais comida. Simples.



As necessidades fisiológicas do cão

Na sequência das refeições poderá ser o criado o hábito de levar o cachorro à rua ou numa primeira fase (antes de poder circular na rua) para o local destinado às necessidades fisiológicas. Em ambos os casos, é importante começar a criar uma rotina que com o tempo trará os seus resultados.



Sempre que o cachorro comece a circular sobre si próprio ou a farejar de forma ansiosa, está na altura de ser levado para o local onde ele possa fazer as suas necessidades. Ainda que não se consiga fazê-lo atempadamente, o cachorro deve ser levado para o local adequado. Caso termine as suas necessidades, recompense o cachorro com festas ou uma guloseima. Não se deve esperar grandes resultados antes dos seis meses, altura em que o tempo de contenção começa a aumentar.

Muito se diz e se escreve sobre técnicas para habituar o cachorro a fazer as suas necessidades no local certo. Contudo, a melhor técnica é a sua paciência, tolerância e rotina no método escolhido.





Algumas Regras para o cão




Algumas regras que devem ser consideradas, por si e pelo cachorro:


- Não circular livremente e diariamente pela casa;

- Não dormir com os donos na mesma cama;

- Não deixar o cachorro despoletar as brincadeiras;

- Não brincar sozinho com objetos que apanha pela casa;

- Não deixar o cachorro pedinchar à mesa;

- Não andar solto, de forma sistemática, nos passeios;

- Não estar de forma permanente com outros cães;

- Não estar, sozinho, em contacto direto com a via publica.



Em resumo…

Por certo, muitas das recomendações aqui apresentadas, só serão percetíveis para alguns donos no dia em que necessitarem de treinar ( no verdadeiro sentido da palavra ) os seus cães. No dia em que chegarem a uma escola de treino canino e perceberem que para o cão tudo é mais interessante que o dono, inclusive, a “bolinha” com que ele tanto gosta de brincar.



Sinais como o cão “respeitar” apenas uma pessoa na família, ser possessivo em relação a objetos ou locais, evitar que pessoas se cheguem junto dos donos, Rosnar junto da comida, em liberdade não responde com eficácia à chamada, etc., serão os primeiros indícios que a educação do cão está a falhar. Com as consequências negativas que daí advêm…


Cláudio M. Nogueira
Amigo do Rottweiler ...e não só!