"Dedicado à promoção e treino canino da raça Rottweiler e demais raças de cães ."

Cláudio Nogueira

Sociabilização

Processo fundamental na vida de um cão.

Sociabilizar é um processo contínuo.

Arty em CachorroA sociabilização é o processo de integração do cão no mundo que o rodeia. Este processo deve começar enquanto o cão é cachorro e o mais cedo possível, sendo desejável que as primeiras etapas comecem logo na casa do criador. Posteriormente, de forma cuidada e moderada, deverá ser o futuro detentor do cachorro o responsável por garantir a continuidade de todo o processo de sociabilização. 

Obs. – Apenas criadores competentes e responsáveis, estão conscientes da importância de uma correta e atempada sociabilização dos seus cachorros.

Os primeiros quatro meses de vida são um período em que o cachorro está recetivo a novas experiencias. Esta fase, de grande sensibilidade para o cachorro, deve ser aproveitada da melhor forma possível.  No entanto, o enriquecimento ambiental, deve ser gerido de forma gradual e nunca através de processos forçados. Isto é, um cachorro não deve ser exposto de forma direta e prolongada a situações que lhe causem receios. Sempre que tal situação se verifique o cachorro deve ser  “afastado” da zona de conflito e, através de um processo de dessensibilização, deve ser promovida a desvalorização desse mesmo conflito. Não raramente, quando devidamente gerido, o processo de dessensibilização transforma o que inicialmente para o cachorro era um conflito, em algo indiferente ou aprazível.

A ausência de sociabilização ou uma gestão incorreta da mesma pode marcar negativamente um cachorro para o resto da vida.

No caso do Rottweiler, tratando-se de um cão com características de guarda, posturas atentas e desconfiadas podem ganhar forma. Perante uma situação que seja considerada uma ameaça o cão ( Rottweiler ou não ) poderá reagir de três maneiras: Atacar ( por confiança ou por medo ), Defender ( Ladrando, Rosnando, Postura física altiva, Postura defensiva mas receosa ) ou Fugir ( por medo / evitar conflito ). Afim de evitar, por desconhecimento, interpretações erróneas das diversas situações com as quais um cão se pode deparar no dia-a-dia, a sociabilização jamais deve ser descurada.

Se é verdade que os primeiros meses de vida de um cachorro são fundamentais no seu processo de sociabilização, igualmente é verdade que nos  primeiros meses de vida, um cachorro está menos imune a doenças. Principalmente, quando ainda não completou o seu programa de vacinação. Esta realidade, leva muitas veterinários a desaconselhar que o cachorro saia à rua antes dos 4/5 meses de idade. Quando assim acontece, minimiza-se um problema e potencia-se outro. De salientar, que o enclausuramento de um cachorro não é garante de este não ser contaminado por um vírus. 

Perante o “dilema” anterior, o que fazer? A resposta será sempre: Sentido de responsabilidade e bom senso. Entenda-se, não privar o cachorro de uma correta sociabilização, evitando a sua exposição de forma explicita a situações de risco ( passeios prolongados nos mais diversos locais, passear em locais onde frequentemente passam outros cães, evitar o contacto com fezes de outros animais, etc. ).

Abaixo, seguem alguns conselhos que procuram “minimizar” os riscos iniciais de uma correta sociabilização, assim como outros exemplos práticos:

Passear o cachorro ao colo ou no automóvel, podem ser formas de não o privar com o mundo exterior, “minimizando” o risco de contaminação ou o contacto não controlado com situações de risco. Não menos importante, no caso do automóvel, este será associado a algo positivo e interessante.

Também em casa, de forma cuidada e não intrusiva, poderão utilizar-se alguns métodos para expor o cachorro a situações similares às do dia-a-dia:

  • Usar um chapéu-de-chuva ( Abrindo, fechando );
  • Transportar sacos de plástico com objetos “ruidosos” no interior;
  • Usar um jornal (Abrir, desfolhar);
  • Usar um sobretudo ou gabardina aberta;
  • Deixar cair alguns objetos “ruidosos” (não junto do cachorro);
  • Manusear uma máquina de vídeo ou fotográfica;
  • Usar óculos e chapéus;
  • Simular, de forma aprazível,  o toque nas diversas partes do corpo do cachorro;
  • Correr ( Parando e arrancado ) enquanto alguém distrai o cachorro;
  • Andar de bicicleta ( Inicialmente transportando apenas a bicicleta )

Todos estes “exercícios” devem ser realizados enquanto alguém brinca com o cachorro para que este não seja exposto de forma direta à situação ensaiada. O cachorro nunca deve ser forçado a ultrapassar um medo, expondo-o diretamente à situação causadora do receio. Sempre que o cachorro se mostre apreensivo, o mesmo deve ser distraído através da brincadeira.

Logo que o cachorro possa ser passeado à trela na via pública, deve frequentar o maior número de locais possíveis: cafés, feiras, escolas de crianças, praias, etc Fazê-lo, de forma respeitosa para com terceiros.

Nos locais movimentados, é aconselhável brincar com o cachorro tal e qual se faria em casa. A curiosidade das pessoas deve ser aproveitada para que as mesmas se aproximem e façam ( de forma controlada e respeitosa ) festas no cachorro.

Cahorros
A sociabilização com outros cães ou outro tipo de animal, deve começar o mais cedo possível. Sociabilizar um cão não significa necessariamente promover o contacto direto com outro cão ou animal de outra espécie. Em primeiro lugar o que deve ser garantido é o sentimento de segurança, estabilidade e indiferença na presença dos mesmos. Em situações controladas ( aulas para cachorros - Pré Escola ), pontualmente, o cachorro poderá nos primeiros meses de vida interagir com cachorros da mesma idade ( preferencialmente de raças diferentes ), minimizando o risco de experiencias negativas com cães adultos menos tolerantes. 

Obs. – Em condições normais, um bom criador não libertará um cachorro para o seu futuro dono, antes dos dois meses de idade. Durante este período, o cachorro terá interagido com os seus irmãos de ninhada e respetiva progenitora, algo que lhe confere de base uma boa experiencia de relacionamento com os seus semelhantes.

Libertar de forma aleatória e recorrente um cão num espaço onde habitualmente passeiam outros cães é um erro ou mesmo um risco. O cachorro perderá facilmente a ligação ao dono e começará a crescer pelas suas próprias regras. Não menos importante, poderá aprender da pior maneira que nem todos os cães tem o mesmo grau de tolerância ou de sociabilidade. Quando assim acontece, os cães que inicialmente eram vistos como uma fonte de divertimento, poderão passar a ser vistos como uma ameaça. Com tudo o que isso implica à posteriori. 

Na rua, aquando da passagem de outro cão, caso tudo aconteça com tranquilidade, o cachorro deve ser acariciado ou premiado com uma guloseima. Caso assim não seja, não se deve durante um momento de excitação ( puxar, ladrar, mostrar uma agressividade aparente) do cachorro, acaricia-lo com festas. Na perspetiva do dono, existe uma tentativa de acalmar o comportamento, enquanto na perspetiva do cão, existe um incentivo ao comportamento.

Qualquer reação menos positiva, em primeira instancia, deve ser corrigida com recurso à dessensibilização do foco do problema. Em caso de duvidas deve ser consultado de imediato um profissional ou recorrer a uma escola de treino canino.

Não menos importante, as visitas ao veterinário devem ser preparadas. Combinar, numa altura menos movimentada, uma deslocação ao veterinário, pode ser bastante útil. Dessa vez, no meio de muitas festas e algumas guloseimas, poderá verificar-se apenas a higiene do cachorro e eventualmente o seu peso. 

Para o cachorro, dentro do possível, o veterinário deve ser visto como uma pessoa de confiança e consultório como um local aprazível.

Resumindo, um bom trabalho de sociabilização, dará ao cão tranquilidade e confiança em relação ao mundo que o rodeia. Garantirá  que no futuro, não haverá surpresas com reações imprevisíveis, derivadas de inadaptação social. A ausência de sociabilização, trará problemas de ordem diversa, onde os problemas mais comuns se manifestam através da “agressividade” frente a pessoas/outros animais e medo.

 É importante ter tempo para o cão, assim como entender o seu comportamento.

Cláudio M. Nogueira
Amigo do Rottweiler ...e não só!