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Numa altura em que vigora em Portugal uma legislação que cataloga determinadas raças como potencialmente perigosas, será bom reflectir sobre a razão da existência da mesma. Para muitos é uma lei sem fundamento, mas algo levou a que fosse criada.
Será importante referir, que o nosso país não é o único a adoptar este tipo de medidas. Curioso é, se cruzarmos as listas elaboradas nos diversos países, para alem de raças comuns entre elas, existe sempre mais uma ou duas raças que divergem. Assim sendo, pegando em todas as listas, rapidamente se poderia chegar à conclusão que a maior parte das raças de cães são potencialmente perigosas. Obviamente, o problema é outro.
A popularidade desmedida e pouco escrupulosa de determinadas raças, fazem com que as mesmas constem nestas tristes listas que catalogam animais de potencialmente perigosos.
A criação sem qualquer rigor, a par de uma posse irresponsável do cão, são a principal causa do panorama actual.
Tendo em conta parte da legislação portuguesa para a posse de cães potencialmente perigosos, questiono:

Será a trela de comprimento máximo de um metro, a solução? Será o uso de açaime, a solução? Será o seguro de responsabilidade civil contra terceiros, a solução? O que acontecerá, se um cão sem qualquer obediência ao seu dono e sem uma sociabilização adequada se libertar da trela ou ficar sem açaime? Será suficiente poder pagar os danos à vítima e poder abater um cão?
Não serão perigosos também, os cães de outras raças, aquelas que não constam na “famosa” lista e que, diariamente andam soltos (infringindo a lei) em plena via pública provocando acidentes de viação, quezílias entre outros animais e incomodando tudo e todos?
A maneira de combater esta lei não é apenas criticar a legislação, mas sim no dia-a-dia provarmos no terreno que somos capazes de ter um cão sem incomodar terceiros. Saber respeitar para ser respeitado.
O primeiro passo nesse sentido, é colocarmos à prova o nosso cão, realizando testes de sociabilidade. Estes devem cada vez mais ser completos e exigentes.
A prova de cão de companhia, conhecida como BH (Begleite Hund), é um teste de sociabilidade já adoptado em diversos países da Europa, não só como pré requisito para a admissão em provas desportivas, mas também como uma espécie de carta de condução para o nosso cão.
Na Alemanha, e para a raça Rottweiler, existem determinadas regiões, onde este teste é obrigatório pelas autoridades locais. De referir igualmente, que na Alemanha, para um Rottweiler reproduzir, deverá possuir o titulo de apto numa prova de BH, a par de ter outro tipo de requisitos (provas de trabalho).
 A prova de cão de companhia (BH), não sendo uma prova de trabalho, privilegia acima de tudo o controle do condutor sobre o seu cão, através da execução de um conjunto de exercícios de obediência, bem como a sua sociabilização, através de interacções com pessoas e outros animais.
Esta prova torna-se bastante interessante, dado cobrir dois aspectos fundamentais para a integração de um cão em sociedade: A obediência (controlo) e Sociabilização (capacidade de interagir com o meio que o rodeia).
Dado estarmos a falar de um animal, o facto de um cão passar este teste, não significa que tenha uma garantia vitalícia para não causar qualquer tipo de dano, no entanto dará mais garantias do que aqueles que não o fazem, mostrando ao mesmo tempo, sentido de responsabilidade e de civismo por parte do seus donos.
O minimizar dos problemas actualmente existentes com a posse de cães, principalmente das raças referidas erradamente como potencialmente perigosas, passa por uma sensibilização e divulgação para este tipo de testes, para a sua preparação e realização.
As probabilidades de um cão educado, sociabilizado e treinado provocar incidentes são reduzidas ao contrário de um cão que não preenche estes requisitos e que anda açaimado e arrastado por uma trela de um metro.
Nota informativa: Foi aprovado em Assembleia Geral do Clube Português de Canicultura, realizada em 15 de Novembro de 2006, o Regulamento da Prova BH (Begleithund) , tendo entrado em vigor a partir do dia 16 de Novembro de 2006.
Prova de BH realizada em Portugal Cabe-lhe a si, que se diz admirador da raça, mudar o rumo dos acontecimentos!
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