"Dedicado à promoção e treino canino da raça Rottweiler e demais raças de cães ."

Cláudio Nogueira

O BH

Prova de Cão de Companhia

A utilidade da prova de BH

Cães no Jardim
 
Um cão treinado e sociabilizado, será garante de uma integração em sociedade sem sobressaltos.
 
De seguida, será apresentado um resumo da prova BH / Cão de Companhia, prova internacionalmente reconhecida, que tem a homologação do Clube Português de Canicultura.

Esta apresentação procura dar a conhecer de forma genérica o BH, não dispensando a consulta do regulamento oficial no site do Clube Português de Canicultura (www.cpc.pt).


A prova BH / Cão de Companhia não é uma prova de trabalho mas antes uma prova que privilegia a obtenção de controlo do dono sobre o cão e a sociabilização deste para que possa interagir sem problemas com o meio envolvente.

Sendo certo que uma primeira leitura do seu regulamento pode levar a crer que é uma prova exigente e que requer muita preparação, ela é acessível e ao alcance da maioria. O facto de haver numerosas escolas de treino aptas à preparação de cães para a prestação destas provas deverá ser visto como um incentivo adicional para que os detentores responsáveis dêem o passo que falta e promovam o treino do seu cão para obtenção deste certificado.

Cães com este treino atestam o seu equilíbrio e a sua capacidade de respeito pela sociedade em que estão inseridos, comprovando nas situações do dia-a-dia que estão aptos a frequentar de forma controlada e respeitadora os espaços públicos como esplanadas, parques e outros.

Esta prova teve origem na Alemanha e tem como designação original BegleitHund e procura aferir, recorrendo a um conjunto de exercícios “standard”, duas componentes distintas do comportamento do cão: uma primeira de obediência realizada em campo de trabalho e uma segunda de sociabilização realizada na via pública.

Resumindo, a prova de cão de companhia é um teste de sociabilidade já adoptado em diversos países da Europa, não só como pré requisito para a admissão em provas desportivas, mas também como uma espécie de “carta de condução” para o detentor do cão.

Resumo do Regulamento da prova BH / Cães de Companhia :

Condições de admissão – São admitidos cães de todas as raças e tamanhos, desde que tenham mais de 15 meses.

Condições gerais:

Podem ser admitidos cães de todas as raças e tamanhos. A idade mínima de admissão é de 15 meses.

A prova é superada na Parte A (Obediência) quando se consegue 70% dos pontos inerentes aos exercícios de obediência e na Parte B (sociabilização), quando o Juiz considera a execução dos exercícios suficiente.

Com a conclusão da prova o juiz dará os resultados não em pontos mas sim com a classificação de “Apto” ou “Não Apto”.



Parte A

Exame do cão de companhia no campo de trabalho

Pontuação Total 60 pontos


1. Condução com trela (15 pontos) - Ordem "Junto", ou similar

Partindo do ponto base (local onde se inicia o percurso) e da posição base (Cão sentado do lado esquerdo do condutor), o cão com trela, deverá seguir alegremente o seu condutor à ordem “Junto”.

O condutor deverá andar aproximadamente 40 passos em linha reta, e fazer meia volta, sem parar. O cão deverá manter a omoplata junto ao joelho do condutor, e não se deve atrasar, adiantar, ou afastar lentamente. Após 10 a 15 passos o condutor realizará um trajeto em corrida e um em passo lento, com pelo menos 10 passos cada um. Em passo normal fará uma volta para a direita e uma para a esquerda como mínimo.

A ordem “Junto” só deverá ser dada para sair da posição base e para mudanças de passo. Quando o condutor se imobiliza o cão deverá adotar a posição base, sem voz de comando. O condutor não pode modificar ou corrigir (aproximando-se do cão) a sua posição. A trela deve manter-se durante a apresentação na mão esquerda e não estar tensa.

À ordem do Juiz, o condutor passará com o seu cão por um grupo mínimo de 4 pessoas. O condutor deverá parar dentro do grupo pelo menos uma vez. Os elementos do grupo poderão estar em movimento.

Manter a trela tensa, adiantar-se, afastar-se, afastar-se lateralmente, ladrar ou fazer voltas lentamente será “penalizado”.

2. Condução sem trela (15 pontos) - Ordem "Junto", ou similar

Por indicação do Juiz o condutor deverá retirar a trela do cão. A trela será guardada no bolso e, de seguida, o condutor deve dirigir-se novamente para o grupo de pessoas onde parará pelo menos uma vez. Ao abandonar o grupo o condutor irá repetir o exercício 1, a partir do ponto base.
 
Arty em obediencia

3. Sentado durante a marcha (10 pontos) - Ordem "Senta", ou similar

Partindo do ponto base e da posição base, o condutor com a ordem “Junto” caminhará com o seu cão, sem trela, em frente. Depois de aproximadamente 10 a 12 passos, o cão deverá sentar-se imediatamente à ordem “Senta”. O condutor continua a andar a passo tranquilo por mais trinta passos.

4. Deitado durante a marcha e chamada (10 pontos) - Ordens "Deita", "Aqui", "Junto", ou similares

Partindo do ponto base e da posição base, o condutor com a ordem “Junto” caminhará com o seu cão, sem trela, em frente. Depois de aproximadamente 10 a 12 passos, o cão deverá deitar-se imediatamente à ordem “Deita”. Sem qualquer outra influência e sem se voltar para o cão o condutor fará cerca de 30 passos em frente, após os quais se volta para o cão e se imobilizará.
 
deitado em andamento

À indicação do Juiz o condutor chamará o cão (“Aqui”), que deverá dirigir-se alegre e rapidamente ao condutor e sentar-se em frente e muito próximo do mesmo. À ordem “Junto” o cão deverá sentar-se ao lado do condutor, assumindo a posição base. 


5. Deitado com distração (10 pontos) - Ordens "Deita", "Senta", "Junto", ou similares

Antes do início dos exercícios de outro cão o condutor colocará o seu cão num local indicado pelo Juiz, sem trela e sem deixar qualquer outro objeto perto do cão. Permanecendo à vista do cão, o condutor afastar-se-á 30 passos e permanecerá quieto de costas ou lateralmente para o cão. O cão sem qualquer influência do condutor deverá se manter deitado durante o tempo em que o outro cão realiza os exercícios de 1. a 4. O condutor retorna ao cão, colocando com a ordem “Junto”, o cão na posição base.

Disposições sobre a realização do exercício:

O condutor deverá permanecer no local indicado pelo Juiz e dentro do terreno da prova todo o tempo quieto e de costas (ou lateralmente) para o cão, até que o Juiz dê ordem para recolha do cão. O comportamento inquieto do condutor, ajudas dissimuladas ou um cão que se levante antes de tempo serão “penalizados”. 

Se um cão se levanta ou senta, mas que não abandone o local, receberá uma pontuação parcial referente ao exercício.

Se o cão se afastar do local onde ficou deitado, mais do que o comprimento do seu corpo, o exercício é considerado insuficiente.

Um cão que não alcance um mínimo de 70% (42 pontos) em todos os exercícios será considerado “Não Apto”.


Parte B



Exame do cão de companhia na via pública.

A parte B da prova BH não é pontuada mas é avaliada a atitude do cão perante as situações criadas, e que o cão deve cumprir de modo satisfatório.
Os exercícios descritos seguidamente são apenas exemplos que podem ser adaptados (dentro do regulamentado) pelo juiz.

1. Encontro com um grupo de pessoas


O Juiz dará ao condutor a ordem de se dirigir com o seu cão à trela para um determinado troço de rua. O juiz segue a equipa (condutor + cão) a uma distância que considere apropriada.
O cão deve acompanhar com vontade o condutor e a trela nunca deverá estar esticada e o ombro do cão deverá estar ao nível do joelho do condutor.

O cão deve mostrar-se indiferente aos peões e ao tráfego motorizado.
A equipa continua a andar ao encontro de um grupo de 6 pessoas. Uma das pessoas deverá dirigir a palavra ao condutor e cumprimentá-lo com um aperto de mão. Ao comando do condutor, o cão deve sentar-se ao lado esquerdo deste e permanecer calmo durante a conversa.

2. Encontro com uma “Bicicleta”

Com o cão à trela, o condutor caminha ao longo de uma rua e seguidamente a equipa é ultrapassada por uma bicicleta (que vem de trás) que deverá tocar a campainha ao passar. A bicicleta inverte a direção e dirige-se de frente para a equipa. Ao passar por esta deve tocar novamente a campainha, O exercício deverá ser planeado de modo que, à passagem da bicicleta, o cão fique posicionado entre a bicicleta e o condutor.
Durante este exercício o cão deve mostrar-se neutro e indiferente à bicicleta e ao ciclista.
 
Encontro com bicicleta

3. Encontro com “automóveis”

Com o cão à trela, o condutor caminha ao longo de uma rua passando por vários automóveis. Um dos carros aciona a ignição e ao passar da equipa o carro deve fechar uma porta. A equipa continua a andar e mais à frente um carro pára junto daquela. O motorista desce o vidro e pede uma informação ao condutor. Neste momento o condutor manda o seu cão sentar-se ou deitar-se.
Durante este exercício o cão deve mostrar-se calmo e indiferente aos carros e ao barulho destes.

4. Encontro com corredores ou patinadores


Com o cão à trela, o condutor caminha ao longo de uma rua sossegada. Um mínimo de 2 desportistas ultrapassa (vindos de trás) a equipa, sem abrandarem a corrida. Assim que um dos desportistas passa um outro aproxima-se de frente para a equipa. O cão não necessita de permanecer ao lado mas não deve incomodar os desportistas. Durante o encontro com os desportistas o condutor pode sentar ou deitar o seu cão.

5. Encontro com cães


Quando a equipa é ultrapassada (vindos de trás) por um outro condutor com cão, ou quando se cruza (vindos de frente), o cão que está a ser avaliado deverá comportar-se de uma forma neutra. Nesta altura o condutor pode repetir o comando “Junto” ou optar por colocar o cão sentado ou deitado.
 
Rottweiler na rua

6. Comportamento do cão na rua quando deixado preso e só. 


Por indicação do Juiz, o condutor com o seu cão preso pela trela encaminhar-se-á para uma rua muito concorrida. Depois de percorrida uma pequena distância, o condutor e por ordem do Juiz, irá parar e atar a trela a um ponto fixo (poste, vedação, etc.). O condutor desaparecerá da vista do cão. Poderá fazê-lo dentro de uma loja, de um portão ou mesmo atrás de um carro estacionado.

O cão poderá ficar de pé, sentado ou deitado. Durante a ausência do condutor, passará um estranho com um cão à trela a uma distância de 5 passos do cão que estará a ser examinado. O cão deverá permanecer tranquilo durante a ausência do condutor. O cão que passa ao seu lado deverá passar tranquilamente sem demonstrar agressividade, puxar a trela na direção do cão examinado ou ladrar. À ordem do Juiz o condutor irá buscar o seu cão.
 
Nota: Em função dos critérios do Juiz, local de realização da prova e condições circunstanciais poderão haver pequenos ajustes nos exercícios de sociabilização.

Nota: A leitura deste texto não dispensa a leitura do regulamento oficial, o qual pode ser obtido através do site do Clube Português de Canicultura.
 


Cláudio Nogueira
Amigo do Rottweiler ... e não só!